OAF-AAC, em discurso directo!
«Nós, o grupo do Organismo Autónomo de Futebol (OAF – AAC), gostámos bastante da Associação que escolhemos, porque além de já sabermos algumas coisas sobre a Académica, o Dr. António Preto esclareceu-nos muitas das dúvidas que tínhamos: onde treinava a equipa da Académica de Seniores; como eram os treinos de captação para os jogos; as contratações que a equipa da académica está a pensar fazer este ano; a história da Académica; quanto custa a sua manutenção diária… Estas dúvidas que nós tínhamos foram todas esclarecidas. Gostámos muito da visita que o João e a Ana nos proporcionaram!»
João Quartilho, n.º 10
José Martinho, n.º 11
Pedro Oliveira, n.º 17
Tomás Loureiro, n.º 20
João Quartilho, n.º 10
José Martinho, n.º 11
Pedro Oliveira, n.º 17
Tomás Loureiro, n.º 20
«A AAC-OAF é a herdeira natural da Associação Académica que espalhou futebol, alegria e irreverência, durante, quase três quartos de século, pelos campos de futebol de Portugal.
Difícil é marcar-lhe (à Académica, como grupo de futebol) uma data para começo, sobretudo se, com espírito histórico e em termos institucionais, a quisermos definir documentalmente.
Não fixemos, pois, aqui e agora, o quando. Esquematizemos apenas o como.
Temos notícias de que no fim do século XIX, já os estudantes da Universidade de Coimbra brincavam com uma bola no largo fronteiro aos Jardins de Santa Cruz, a Sereia de hoje.
Aceitando, com boa vontade, que essa brincadeira fosse já footebal, não era, porém, ainda, a Académica, mas seria tão-só a Academia, (melhor dizendo, estudantes da Academia) como se designava desde os tempos do Senhor Rei D. Dinis, o colectivo dos estudantes Universitários. O honroso destinatário de Briosa ganhara-o a Academia de Coimbra, pelo menos desde meados do século XIX, pois assim, relativamente a esse tempo, quando ainda se não sonhava com o footbal, a designa já António Cabral no sei Tempos de Coimbra, uma das mais famosas e respeitadas crónicas sobre a Academia Coimbrã. Ao contrário do que muitos pensam e alguns, com responsabilidades, escrevem, a Briosa é a Academia, não o seu team de Footebal. Acontece, porém, que o Futebol da Associação Académica era, queira-se ou não, e sem menosprezo de outras actividades culturais, desportivas e mesmo académicas, quem mais dignificava e propagandeava a Academia de Coimbra, a começar pela própria Universidade (perdoe-se a hiperbólica irreverência). Assim, a Secção ganha o epíteto que outorgado fora a toda a Academia – e é como BRIOSA que hoje, desligada, institucional, mas não efectivamente, que está da casa mãe ainda é tratada e reconhecida.
Voltemos, porém, à institucionalização da Associação Académica de Estudantes da Universidade de Coimbra, pois só após ela se pode falar e entender o surgir institucional da Académica no palco do Futebol Português. O fim de oitocentos do século XIX é o tempo certo – 1887, se a memória, que sustenta este escrito, me não falha.
Se data assim, do final de novecentos a passagem da Academia à Associação Académica, só no início da segunda década do século XX, aparece a secção de Futebol.
Isto não significa que o futebol académico só então tenha nascido. Às brincadeiras futebolísticas no frente ao Jogo da Pela dos frades Crúzios, sucederam-se já verdadeiros jogos de footbal, na Ínsua dos Frades Bentos, pelo que se pode dizer que o futebol académico surge abençoado pelas ordens monásticas. Na verdade sabemos que os estudantes e depois mesmo já a Secção de Futebol da AAC, conhecida desde logo simplesmente pela a ACADÉMICA, realizaram jogos no campo da Ínsua dos Bentos – ao fundo de onde hoje é o Parque Manuel Braga – pelo menos até ao aparecimento do Campo de Santa Cruz, cuja construção fundamenta o futebol académico, podendo dizer-se que sem ele nada teria existido.
É certo que ali jogaram ainda os renomados Esquível, Ribeiro da Costa, Guedes Pinto, Galante…, mas a verdadeira Académica, aquela a que nos encontramos misticamente ligados, forjou-se em Santa Cruz.
Nasceu o “Estádio”, comparando com o que antes fora, como quase tudo em Coimbra, da carolice de alguns. Pertencia (pertence?) à Universidade, já que foi a ela que o Presidente Sidónio Pais doou cem contos que possibilitaram as obras, mas a obra, Obra, foi da Associação Académica. Melhor, por mais verdadeiro, seria dizer que nasceu e avançou mercê do entusiasmo e trabalho, inclusive físico, de um grupo de estudantes, precursores do desporto como factor educativo, Personificaram todo o esforço de anónimos estudantes dos anos vinte, o empenho, o espírito de iniciativa e a dedicação dos posteriormente doutores Armando Sampaio e Matos Beja; Cunha Vaz e Rui Sarmento. O primeiro jogo ali realizado foi em 23/3/1918, contra o há muito desaparecido Império de Lisboa, que a Académica perdeu por 3-2. Também no jogo de inauguração, em Março de 1922, presentes o Ministro dos Negócios Barbosa de Magalhães e o Reitor da Universidade Professor Doutor António Luís Gomes, saneado pelo Estado Novo, a Académica voltou a perder, agora com o Académico do Porto (3-4).
O primeiro jogo oficial que teve lugar em Santa Cruz foi contra o Moderno, para o Campeonato de Coimbra de 1922/23, finalmente a Académica ganhou 3-0. Embora, já ali se fosse jogando, o campo só tomou forma de recinto desportivo a partir de 1925. Acrescem a estas obras os melhoramentos que vão sendo feitos, nos anos seguintes, traduzidos em vestiários, novas bancadas, um campo de basquete e um tanque de 12 metros. O culminar das obras, com esta pomposamente chamada piscina, deu-se a 31 de Agosto de 1934. A inauguração coube ao então Reitor Professor Doutor João Duarte Oliveira.
Julgo, que relembrando este palco de tantas glórias é obrigatório deixar aqui, pelo menos os nomes dos que, guardando-o, o serviram: o Zé Grande e sua mulher a senhora Mariana, do tempo do Dr. Sampaio; o Senhor Zé dos meus tempos de Liceu e o Senhor Zé Freixo, e sua senhora, D. Leocádia Freixo, pais dos ex-atletas escolares, José, Gregório e Luís – bem hajam pelo que por este glorioso palco fizeram.»
REIS TORGAL, Gonçalo dos (2004), Coimbra – Boémia da Saudade – III Volume
Difícil é marcar-lhe (à Académica, como grupo de futebol) uma data para começo, sobretudo se, com espírito histórico e em termos institucionais, a quisermos definir documentalmente.
Não fixemos, pois, aqui e agora, o quando. Esquematizemos apenas o como.
Temos notícias de que no fim do século XIX, já os estudantes da Universidade de Coimbra brincavam com uma bola no largo fronteiro aos Jardins de Santa Cruz, a Sereia de hoje.
Aceitando, com boa vontade, que essa brincadeira fosse já footebal, não era, porém, ainda, a Académica, mas seria tão-só a Academia, (melhor dizendo, estudantes da Academia) como se designava desde os tempos do Senhor Rei D. Dinis, o colectivo dos estudantes Universitários. O honroso destinatário de Briosa ganhara-o a Academia de Coimbra, pelo menos desde meados do século XIX, pois assim, relativamente a esse tempo, quando ainda se não sonhava com o footbal, a designa já António Cabral no sei Tempos de Coimbra, uma das mais famosas e respeitadas crónicas sobre a Academia Coimbrã. Ao contrário do que muitos pensam e alguns, com responsabilidades, escrevem, a Briosa é a Academia, não o seu team de Footebal. Acontece, porém, que o Futebol da Associação Académica era, queira-se ou não, e sem menosprezo de outras actividades culturais, desportivas e mesmo académicas, quem mais dignificava e propagandeava a Academia de Coimbra, a começar pela própria Universidade (perdoe-se a hiperbólica irreverência). Assim, a Secção ganha o epíteto que outorgado fora a toda a Academia – e é como BRIOSA que hoje, desligada, institucional, mas não efectivamente, que está da casa mãe ainda é tratada e reconhecida.
Voltemos, porém, à institucionalização da Associação Académica de Estudantes da Universidade de Coimbra, pois só após ela se pode falar e entender o surgir institucional da Académica no palco do Futebol Português. O fim de oitocentos do século XIX é o tempo certo – 1887, se a memória, que sustenta este escrito, me não falha.
Se data assim, do final de novecentos a passagem da Academia à Associação Académica, só no início da segunda década do século XX, aparece a secção de Futebol.
Isto não significa que o futebol académico só então tenha nascido. Às brincadeiras futebolísticas no frente ao Jogo da Pela dos frades Crúzios, sucederam-se já verdadeiros jogos de footbal, na Ínsua dos Frades Bentos, pelo que se pode dizer que o futebol académico surge abençoado pelas ordens monásticas. Na verdade sabemos que os estudantes e depois mesmo já a Secção de Futebol da AAC, conhecida desde logo simplesmente pela a ACADÉMICA, realizaram jogos no campo da Ínsua dos Bentos – ao fundo de onde hoje é o Parque Manuel Braga – pelo menos até ao aparecimento do Campo de Santa Cruz, cuja construção fundamenta o futebol académico, podendo dizer-se que sem ele nada teria existido.
É certo que ali jogaram ainda os renomados Esquível, Ribeiro da Costa, Guedes Pinto, Galante…, mas a verdadeira Académica, aquela a que nos encontramos misticamente ligados, forjou-se em Santa Cruz.
Nasceu o “Estádio”, comparando com o que antes fora, como quase tudo em Coimbra, da carolice de alguns. Pertencia (pertence?) à Universidade, já que foi a ela que o Presidente Sidónio Pais doou cem contos que possibilitaram as obras, mas a obra, Obra, foi da Associação Académica. Melhor, por mais verdadeiro, seria dizer que nasceu e avançou mercê do entusiasmo e trabalho, inclusive físico, de um grupo de estudantes, precursores do desporto como factor educativo, Personificaram todo o esforço de anónimos estudantes dos anos vinte, o empenho, o espírito de iniciativa e a dedicação dos posteriormente doutores Armando Sampaio e Matos Beja; Cunha Vaz e Rui Sarmento. O primeiro jogo ali realizado foi em 23/3/1918, contra o há muito desaparecido Império de Lisboa, que a Académica perdeu por 3-2. Também no jogo de inauguração, em Março de 1922, presentes o Ministro dos Negócios Barbosa de Magalhães e o Reitor da Universidade Professor Doutor António Luís Gomes, saneado pelo Estado Novo, a Académica voltou a perder, agora com o Académico do Porto (3-4).
O primeiro jogo oficial que teve lugar em Santa Cruz foi contra o Moderno, para o Campeonato de Coimbra de 1922/23, finalmente a Académica ganhou 3-0. Embora, já ali se fosse jogando, o campo só tomou forma de recinto desportivo a partir de 1925. Acrescem a estas obras os melhoramentos que vão sendo feitos, nos anos seguintes, traduzidos em vestiários, novas bancadas, um campo de basquete e um tanque de 12 metros. O culminar das obras, com esta pomposamente chamada piscina, deu-se a 31 de Agosto de 1934. A inauguração coube ao então Reitor Professor Doutor João Duarte Oliveira.
Julgo, que relembrando este palco de tantas glórias é obrigatório deixar aqui, pelo menos os nomes dos que, guardando-o, o serviram: o Zé Grande e sua mulher a senhora Mariana, do tempo do Dr. Sampaio; o Senhor Zé dos meus tempos de Liceu e o Senhor Zé Freixo, e sua senhora, D. Leocádia Freixo, pais dos ex-atletas escolares, José, Gregório e Luís – bem hajam pelo que por este glorioso palco fizeram.»
REIS TORGAL, Gonçalo dos (2004), Coimbra – Boémia da Saudade – III Volume
