Terça-feira, Junho 20, 2006

OAF-AAC, em discurso directo!

«Nós, o grupo do Organismo Autónomo de Futebol (OAF – AAC), gostámos bastante da Associação que escolhemos, porque além de já sabermos algumas coisas sobre a Académica, o Dr. António Preto esclareceu-nos muitas das dúvidas que tínhamos: onde treinava a equipa da Académica de Seniores; como eram os treinos de captação para os jogos; as contratações que a equipa da académica está a pensar fazer este ano; a história da Académica; quanto custa a sua manutenção diária… Estas dúvidas que nós tínhamos foram todas esclarecidas. Gostámos muito da visita que o João e a Ana nos proporcionaram!»

João Quartilho, n.º 10
José Martinho, n.º 11
Pedro Oliveira, n.º 17
Tomás Loureiro, n.º 20
«A AAC-OAF é a herdeira natural da Associação Académica que espalhou futebol, alegria e irreverência, durante, quase três quartos de século, pelos campos de futebol de Portugal.
Difícil é marcar-lhe (à Académica, como grupo de futebol) uma data para começo, sobretudo se, com espírito histórico e em termos institucionais, a quisermos definir documentalmente.
Não fixemos, pois, aqui e agora, o quando. Esquematizemos apenas o como.

Temos notícias de que no fim do século XIX, já os estudantes da Universidade de Coimbra brincavam com uma bola no largo fronteiro aos Jardins de Santa Cruz, a Sereia de hoje.
Aceitando, com boa vontade, que essa brincadeira fosse já footebal, não era, porém, ainda, a Académica, mas seria tão-só a Academia, (melhor dizendo, estudantes da Academia) como se designava desde os tempos do Senhor Rei D. Dinis, o colectivo dos estudantes Universitários. O honroso destinatário de Briosa ganhara-o a Academia de Coimbra, pelo menos desde meados do século XIX, pois assim, relativamente a esse tempo, quando ainda se não sonhava com o footbal, a designa já António Cabral no sei Tempos de Coimbra, uma das mais famosas e respeitadas crónicas sobre a Academia Coimbrã. Ao contrário do que muitos pensam e alguns, com responsabilidades, escrevem, a Briosa é a Academia, não o seu team de Footebal. Acontece, porém, que o Futebol da Associação Académica era, queira-se ou não, e sem menosprezo de outras actividades culturais, desportivas e mesmo académicas, quem mais dignificava e propagandeava a Academia de Coimbra, a começar pela própria Universidade (perdoe-se a hiperbólica irreverência). Assim, a Secção ganha o epíteto que outorgado fora a toda a Academia – e é como BRIOSA que hoje, desligada, institucional, mas não efectivamente, que está da casa mãe ainda é tratada e reconhecida.

Voltemos, porém, à institucionalização da Associação Académica de Estudantes da Universidade de Coimbra, pois só após ela se pode falar e entender o surgir institucional da Académica no palco do Futebol Português. O fim de oitocentos do século XIX é o tempo certo – 1887, se a memória, que sustenta este escrito, me não falha.
Se data assim, do final de novecentos a passagem da Academia à Associação Académica, só no início da segunda década do século XX, aparece a secção de Futebol.

Isto não significa que o futebol académico só então tenha nascido. Às brincadeiras futebolísticas no frente ao Jogo da Pela dos frades Crúzios, sucederam-se já verdadeiros jogos de footbal, na Ínsua dos Frades Bentos, pelo que se pode dizer que o futebol académico surge abençoado pelas ordens monásticas. Na verdade sabemos que os estudantes e depois mesmo já a Secção de Futebol da AAC, conhecida desde logo simplesmente pela a ACADÉMICA, realizaram jogos no campo da Ínsua dos Bentos – ao fundo de onde hoje é o Parque Manuel Braga – pelo menos até ao aparecimento do Campo de Santa Cruz, cuja construção fundamenta o futebol académico, podendo dizer-se que sem ele nada teria existido.
É certo que ali jogaram ainda os renomados Esquível, Ribeiro da Costa, Guedes Pinto, Galante…, mas a verdadeira Académica, aquela a que nos encontramos misticamente ligados, forjou-se em Santa Cruz.

Nasceu o “Estádio”, comparando com o que antes fora, como quase tudo em Coimbra, da carolice de alguns. Pertencia (pertence?) à Universidade, já que foi a ela que o Presidente Sidónio Pais doou cem contos que possibilitaram as obras, mas a obra, Obra, foi da Associação Académica. Melhor, por mais verdadeiro, seria dizer que nasceu e avançou mercê do entusiasmo e trabalho, inclusive físico, de um grupo de estudantes, precursores do desporto como factor educativo, Personificaram todo o esforço de anónimos estudantes dos anos vinte, o empenho, o espírito de iniciativa e a dedicação dos posteriormente doutores Armando Sampaio e Matos Beja; Cunha Vaz e Rui Sarmento. O primeiro jogo ali realizado foi em 23/3/1918, contra o há muito desaparecido Império de Lisboa, que a Académica perdeu por 3-2. Também no jogo de inauguração, em Março de 1922, presentes o Ministro dos Negócios Barbosa de Magalhães e o Reitor da Universidade Professor Doutor António Luís Gomes, saneado pelo Estado Novo, a Académica voltou a perder, agora com o Académico do Porto (3-4).
O primeiro jogo oficial que teve lugar em Santa Cruz foi contra o Moderno, para o Campeonato de Coimbra de 1922/23, finalmente a Académica ganhou 3-0. Embora, já ali se fosse jogando, o campo só tomou forma de recinto desportivo a partir de 1925. Acrescem a estas obras os melhoramentos que vão sendo feitos, nos anos seguintes, traduzidos em vestiários, novas bancadas, um campo de basquete e um tanque de 12 metros. O culminar das obras, com esta pomposamente chamada piscina, deu-se a 31 de Agosto de 1934. A inauguração coube ao então Reitor Professor Doutor João Duarte Oliveira.

Julgo, que relembrando este palco de tantas glórias é obrigatório deixar aqui, pelo menos os nomes dos que, guardando-o, o serviram: o Zé Grande e sua mulher a senhora Mariana, do tempo do Dr. Sampaio; o Senhor Zé dos meus tempos de Liceu e o Senhor Zé Freixo, e sua senhora, D. Leocádia Freixo, pais dos ex-atletas escolares, José, Gregório e Luís – bem hajam pelo que por este glorioso palco fizeram.»

REIS TORGAL, Gonçalo dos (2004), Coimbra – Boémia da Saudade – III Volume